Brasil critica sorteio do judô e foca estratégia somente para
estreia
A Olimpíada de Londres já sabe quais serão as
primeiras lutas do judô e as chaves do restante da competição. As disputas foram
definidas na manhã desta quinta-feira na ExCel, gigantesca arena que receberá a
modalidade e as competições de boxe, tênis de mesa, lutas e esgrima. Para a
Seleção Brasileira, alguns pontos do sorteio não foram justos com o ranqueamento
dos atletas, mas a confiança dos judocas do País pode fazer a diferença.
“Identificamos claramente que principalmente nas
chaves femininas que os atletas que caíram uma luta à frente são atletas muito
fracos. Não é justo no sistema. Os melhores deveriam ser beneficiados, não os
atletas frágeis”, disse Ney Wilson, coordenador da Seleção.
Um exemplo da reclamação do Brasil é a categoria
até 48 kg, peso de Sarah Menezes. As duas melhores ranqueadas – Sarah e a
japonesa Tomoko Fukumi, cabeça de chave número um – serão das únicas a fazer uma
luta a mais, enquanto o restante já entra na segunda rodada da Olimpíada.
A crítica vem pelo fato de o Brasil ter dez
cabeças de chave nos Jogos: Sarah Menezes, Érika Miranda, Rafaela Silva, Maria
Portela, Mayra Aguiar, Maria Suellen Altheman, Leandro Cunha, Leandro Guilheiro,
Tiago Camilo e Rafael Silva. A opinião da Seleção é que as primeiras lutas de
alguns atletas poderiam ser mais fáceis.
De acordo com a comissão técnica brasileira, o
foco da preparação dos atletas será somente na primeira luta, deixando os
possíveis próximos confrontos para serem discutidos com os judocas no dia de
disputa. A ideia é ter a estratégia bem definida para a estreia e trabalhar a
confiança dos competidores.
“Cada luta ganhando são estratégias diferentes.
Preferimos esperar os sorteios das chaves para não ocupar o HD das crianças com
adversários que não estariam em confrontos diretos. Agora vamos mapear e fazer a
estratégia para cada adversário”, disse Rosicléia Campos, técnica da Seleção
feminina. Cada judoca possui arquivos com lutas dos rivais que enfrentam pelas
competições durante a temporada.
“Temos que analisar não o lado da chave, e sim o
adversário da primeira luta. Temos que ver luta a luta, degrau a degrau, momento
a momento. Não pode ficar prevendo. A partir de agora é trabalhar com o pessoal
da estratégia e analisar a primeira luta, esse é o nosso papel”, afirmou Ney
Wilson.